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Conheça o Tucupi e surpreenda-se com esse ingrediente incomparável!

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Diz a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’alva), combinaram de dar um rolê no centro da Terra (os caras são divindades, portanto, um rolê normal). Quando foram atravessar o abismo, Caninana Tyiiba (uma espécie de cobra) mordeu a face de Jacy. Jacy derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. O belo rosto de Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas de Caninana. E a partir das tristes lágrimas de Jacy, surgiu um tesouro líquido, chamado tycupy (tucupi).

Tucupi com Jambu / Fonte: expedicaopara.com.br

Sabor memorável!

Sempre vou lembrar o dia em que provei esse fantástico ingrediente pela primeira vez. Só tinha ouvido falar dele como um ingrediente muito usado no norte do país e não fazia ideia do que se tratava exatamente. Uma amiga que havia voltado do Pará, do nada me aparece com dois litros de presente. Bem, vamos provar, purinho mesmo… foi arrebatador!!

Tucupi vendido na feira em Belém

O tucupi é uma explosão de umami. É um sabor que, de tão vibrante e estimulante, chega a te deixar perplexo no primeiro trago. Difícil compará-lo com outro ingrediente para se ter uma base. Só provando. Agradeçam os índios do norte do país. Foi graças a seus conhecimentos que podemos desfrutar dessa iguaria.

Mas o que é o Tucupi?

O tucupi é um subproduto da mandioca. A mandioca, para muitos, é o ingrediente que melhor representa a culinária tupiniquim. Bem, ela esta presente de norte a sul, cresce sem frescura em qualquer lugar e dela se aproveita tudo. Há um sem-fim de ingredientes que brotam da mandioca: maniva (folha), farinha, goma, amido, tapioca, tucupi, polvilho… que alimentam do rico a, principalmente, o pobre, que tem na mandioca que brota até num chão seco a garantia do mínimo de sustento.

São dois tipos de mandioca:

– A mandioca mansa, que pode ser chamada de macaxeira ou aipim, dependendo da região do país. É o tipo que consumimos à mesa normalmente. O aipim que conhecemos.

Mandioca Mansa / Mandioca Brava

– E tem a mandioca brava, que é da onde se extrai o tucupi. Ela não é apropriada para o consumo à mesa por conter altos teores de ácido cianídrico, que é altamente tóxico.

Modo de preparo

Tudo começa em descascar, moer e prensar a polpa da mandioca. Após a prensagem, o bagaço resultante vai pra fabricação da farinha, tapioca… o líquido (chamado de manipueira) serve para o tucupi, goma e polvilho. Bem, esse líquido fica descansando por um ou dois dias, para decantar (separando o amido do líquido) e fermentar.

Retirado o amido, vem o processo de fervura, que é o que vai eliminar o ácido cianídrico e torná-lo não tóxico. É na fervura também que se tempera o preparo, normalmente com um pouco de sal, alfavaca e pimenta-de-cheiro. Algumas horas de fervura bastam para desintoxicar o preparo. Porém, quanto maior o tempo de fervura, mais intenso fica o sabor.

Infinidade de aplicações

Pato no Tucupi / Fonte: expedicaopara.com.br

O tucupi é muito versátil, sem papo furado. Pode ser misturado em qualquer preparo, desde uma galinha ensopada, moqueca, marinadas, caldos base ou até na composição de algum coquetel alcoólico. Os pratos mais famosos que levam tucupi são do Pará: o Pato no Tucupi e o Tacacá, que é um caldo feito com o tucupi e a goma (sim, eles voltam a se encontrar nesse prato), camarões secos e jambú (aquela folha que provoca pequena dormência na boca e esta presente também na nossa “poção dourada”).

Aliás, a bruxa, cosmopolita e conhecedora de várias culturas e ingredientes, não mediu esforços e buscou essa iguaria direto do Pará. Ao abrir um frasco da nossa Bode Yellow com Caju e Tucupi, sinta o aroma dela.

Molho de pimenta LaBruja – Bode Yellow & Caju e Tucupi

Não economizamos no tucupi. É a nossa “poção dourada”, e vem conquistando cada vez mais adeptos que, a princípio, o vêem como um molho exótico. Junto da bode, que é uma das mais aromáticas pimentas que existe, o resultado é inebriante.

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